Não existe expressão mais concreta da potência do que a actividade do maestro.
O maestro considera-se o primeiro criado ao serviço da música.
O maestro está de pé.
A erecção da pessoa é uma lembrança arcaica que ainda desempenha um papel importante em muitas representações de potência.
O maestro está de pé sozinho.
A sua orquestra está sentada à sua volta, atrás dele está sentada a plateia com os seus ouvintes, apenas ele, de pé, ocupa uma posição marcante.
Encontra-se acima do resto, visível de frente e de trás.
À frente, os seus gestos agem sobre a orquestra, atrás, sobre a plateia.
As suas indicações, propriamente ditas, dá-as com a mão ou com a batuta.
Eis que, mediante um pequeno gesto, de súbito ele desperta e anima tal ou tal voz, e faz calar todas as que quer silenciar.
Tem pois um poder de vida ou de morte sobre as vozes.
Uma voz de há muito morta pode ressuscitar sob as suas ordens.
A diversidade dos instrumentos representa a diversidade dos homens.
A orquestra é como uma assembleia de todos os tipos humanos mais importantes.
A solicitude que mostram em obedecer permite ao maestro tranformá-los facilmente numa unidade, que passa então a representar então para eles, ante todos os olhares.
(...)
Mas eis o maestro.
O silêncio instaura-se.
Ele coloca-se em posição; arranha a garganta para aclarar a voz; levanta a batuta: toda a gente se cala e fica especada.
Enquanto ele dirige, ninguém se deve mexer.
Mal termine, as pessoas são obrigadas a aplaudir.
A necessidade de movimento, despertada e acrescida pela música, deve acumular-se até ao fim, mas explodir nesse momento.
É para as mãos que aplaudem que ele se inclina.
Para elas volta quantas vezes o quiserem.
É a elas que se entrega, mas só a elas, é para elas que vive.
O que assim colhe, é a antiga aclamação do vencedor.
A grandeza da sua victória traduz-se pela intensidade dos aplausos.
Durante a execução, o maestro serve de guia à multidão na sala.
As vozes dos instrumentos são as opiniões e convicções às quais ele dá extrema atenção.
É omnisciente, pois enquanto os músicos apenas têm diante a sua parte, ele tem toda a partitura em mente ou na estante.
Sabe exactamente o que é permitido a cada um a cada instante.
Pelo comando da sua mão, indica o que se faz e impede o que não se deve fazer.
Com efeito, para a orquestra, o maestro representa a obra inteira, na sua simultaneidade e sucessão, e como durante a execução, o mundo deve resumir-se inteiramente à obra, é ele que, durante esse tempo exactamente, é dono do mundo.
in "Crowds and Power", de Elias Canetti
Maestro Daniel Barenboim (AP Photo/Kerstin Joensson)
2008-03-11
O Dono do Mundo
Etiquetas: Crowds and Power, Elias Canetti, Maestro, Música
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Através de toda a floresta tropical humanos e animais usam as chamadas "janelas de som" de modo a transmitirem os seus apelos ou canções com diferentes frequências de som, a diferentes horas do dia. Assim, a floresta tropical pode ser encarada como uma telefonia gigante onde se pode sintonizar a qualquer hora do dia ou da noite diferentes programas de animais ou insectos.
. . .
Throughout the rain forest both humans and animals have used the so called "sound windows" to transmit their calls or songs at different frequencies at different time of day. And so the rain forest can be seen as a sort of giant radio set into wich we can tune at anytime of day or night for a different insect or animal program.
in "The nature of music, part 2 - Songs and Symbols",
by Jeremy Marre
"O olhar é uma janela.
Toda janela tem dois lados que se
comunicam através dela.
Interior e exterior.
Se a paisagem é um olhar, então ela é
o encontro da interioridade de quem vê
e a exterioridade do que é visto, em
meio à corporeidade sensória.
A paisagem pode ser tomada como a
relação entre o espaço e a imagem.
É o encontro entre elas.
É a janela que comunica tais instâncias.
Pinta-se o que se vê ou vê-se o que
se pinta?"
in "Paisagem e Imaginário", de Daniel de Souza Leão
Toda janela tem dois lados que se
comunicam através dela.
Interior e exterior.
Se a paisagem é um olhar, então ela é
o encontro da interioridade de quem vê
e a exterioridade do que é visto, em
meio à corporeidade sensória.
A paisagem pode ser tomada como a
relação entre o espaço e a imagem.
É o encontro entre elas.
É a janela que comunica tais instâncias.
Pinta-se o que se vê ou vê-se o que
se pinta?"
in "Paisagem e Imaginário", de Daniel de Souza Leão
Art of Noise
"Ancient life was all silence. In the nineteenth century, with the invention of the machine, Noise was born. Today, Noise triumphs and reigns supreme over the sensibilities of men.
(...)
Let us wander through a great modern city with our ears more alert than our eyes, and enjoy distinguishing between the sounds of water, air, or gas in metal pipes, the purring of motors ) which breathe and pulsate with indisputable animalism), the throbbing of valves, the pounding of pistons, the screeching of gears, the clatter of streetcars on their rails, the cracking of whips, the flapping of awnings and flags. We shall enjoy fabricating the mental orchestrations of the banging of store shutters, the slamming of doors, the hustle and bustle of crowds, the din of railroad stations, foundries, spinning mills, printing presses, electric power stations, and underground railways."
in "Arte dei Rumori", by Luigi Russolo
. . .
“a vida antiga era só silêncio. No século dezanove, com a invenção da máquina, o Ruído nasceu. Hoje, o Ruído triunfa e reina sobre as sensibilidades do homem.
(...)
Deixemo-nos andar através da grande cidade moderna com os nossos ouvidos mais alerta que os nossos olhos, e deleitemo-nos a distinguir entre os sons de água, ar ou gás nas canalizações, o ronronar dos motores, que respiram e pulsam com animalismo indisputável, a vibração das válvulas, as pancadas dos pistons, o ranger de aparelhos, o estrépito dos carros eléctricos nos carris, o estalar dos chicotes, o esvoaçar de toldos e bandeiras. Devemos gozar a construção mental de orquestrações dos estrondos dos estores das lojas, do bater de portas, a azáfama das multidões, a zoeira das estações de comboio, das fundições, das fiações, máquinas impressoras, centrais eléctricas e do metropolitano."
in "Arte dei Rumori", by Luigi Russolo
("Soundwalkers", versão PT)
(...)
Let us wander through a great modern city with our ears more alert than our eyes, and enjoy distinguishing between the sounds of water, air, or gas in metal pipes, the purring of motors ) which breathe and pulsate with indisputable animalism), the throbbing of valves, the pounding of pistons, the screeching of gears, the clatter of streetcars on their rails, the cracking of whips, the flapping of awnings and flags. We shall enjoy fabricating the mental orchestrations of the banging of store shutters, the slamming of doors, the hustle and bustle of crowds, the din of railroad stations, foundries, spinning mills, printing presses, electric power stations, and underground railways."
in "Arte dei Rumori", by Luigi Russolo
Soundwalkers from raquel castro on Vimeo.
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“a vida antiga era só silêncio. No século dezanove, com a invenção da máquina, o Ruído nasceu. Hoje, o Ruído triunfa e reina sobre as sensibilidades do homem.
(...)
Deixemo-nos andar através da grande cidade moderna com os nossos ouvidos mais alerta que os nossos olhos, e deleitemo-nos a distinguir entre os sons de água, ar ou gás nas canalizações, o ronronar dos motores, que respiram e pulsam com animalismo indisputável, a vibração das válvulas, as pancadas dos pistons, o ranger de aparelhos, o estrépito dos carros eléctricos nos carris, o estalar dos chicotes, o esvoaçar de toldos e bandeiras. Devemos gozar a construção mental de orquestrações dos estrondos dos estores das lojas, do bater de portas, a azáfama das multidões, a zoeira das estações de comboio, das fundições, das fiações, máquinas impressoras, centrais eléctricas e do metropolitano."
in "Arte dei Rumori", by Luigi Russolo
("Soundwalkers", versão PT)
Éloge du silence / Elogio do Silêncio
"Le silence, c'est du temps perforé par des bruits.
Le silence est la couleur des événements: il peut être léger, épais, gris, joyeux, vieux, aérien, triste, désespéré, heureux... Il se teinte de toutes les infinies nuances de nos vies. Sans cesse, si on l'écoute, il nous parle et nous renseigne sur l'état des lieux et des êtres, sur la texture et la qualité des situations rencontrées. Lieu de la conscience profonde, il fonde notre regard et notre écoute.
(...)
Artistes, poètes, philosophes, mystiques savent depuis toujours que dans l'attention au silence de la pensée s'enracine toute créativité."
. . .
"O silêncio é o tempo perfurado por ruídos.
O silêncio é a cor das ocorrências da vida: pode ser ligeiro, denso, cinzento, alegre, venerável, aéreo, triste, desesperado, feliz. Colora-se de todas as infinitas tonalidades das nossas vidas... Se o escutarmos, o silêncio fala-nos e elucida-nos constantemente acerca do estado dos lugares e dos seres, acerca da textura e da qualidade das situações que enfrentamos. É o nosso companheiro íntimo, o âmago permanente do qual tudo se liberta.
(...)
Artistas, poetas, filósofos e místicos sempre falaram disso; todos eles sabem que é da atenção que se dá ao silêncio do pensamento que nasce toda a criatividade."
in "Éloge du silence", by Marc de Smedt
Le silence est la couleur des événements: il peut être léger, épais, gris, joyeux, vieux, aérien, triste, désespéré, heureux... Il se teinte de toutes les infinies nuances de nos vies. Sans cesse, si on l'écoute, il nous parle et nous renseigne sur l'état des lieux et des êtres, sur la texture et la qualité des situations rencontrées. Lieu de la conscience profonde, il fonde notre regard et notre écoute.
(...)
Artistes, poètes, philosophes, mystiques savent depuis toujours que dans l'attention au silence de la pensée s'enracine toute créativité."
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"O silêncio é o tempo perfurado por ruídos.
O silêncio é a cor das ocorrências da vida: pode ser ligeiro, denso, cinzento, alegre, venerável, aéreo, triste, desesperado, feliz. Colora-se de todas as infinitas tonalidades das nossas vidas... Se o escutarmos, o silêncio fala-nos e elucida-nos constantemente acerca do estado dos lugares e dos seres, acerca da textura e da qualidade das situações que enfrentamos. É o nosso companheiro íntimo, o âmago permanente do qual tudo se liberta.
(...)
Artistas, poetas, filósofos e místicos sempre falaram disso; todos eles sabem que é da atenção que se dá ao silêncio do pensamento que nasce toda a criatividade."
in "Éloge du silence", by Marc de Smedt
Image de son / imagem de som
"Je veux parler de cette "révolution du son" devenu matière, et même matériau autonome. Voici maintenant le son, par nature éphémère (c'est le plus fugitif des phénomènes), désormais maintenu dans le détail précis de son déroulement temporel, et donc facilement observable, manipulable. Plus nécessairement besoin d’une notation conventionnelle comme "aide-mémoire" approximatif de l'effet résultant du geste instrumental. Et tout d’un coup voilà que s'ouvre la possibilité pour le musicien de rejoindre l'expérience du peintre ou du sculpteur, travaillant directement avec ses mains et avec son corps sur l'œuvre-même."
. . .
"Quero falar dessa "revolução do som" tornado matéria, e até mesmo material autónomo. Eis agora o som, efémero por natureza (é o mais fugitivo dos fenómenos), doravante mantido no detalhe preciso do seu desenrolar no tempo, e portanto facilmente observável, manipulável. Mais obviamente necessitado de uma notação convencional como "auxiliar de memória" aproximada do efeito resultante do gesto instrumental.
De uma assentada eis que se abre a possibilidade ao músico de se juntar na experiência do pintor ou do escultor, trabalhando directamente com as suas mãos e com o seu corpo sobre a obra, ela mesma.
in L’Image de son, by François Bayle
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"Quero falar dessa "revolução do som" tornado matéria, e até mesmo material autónomo. Eis agora o som, efémero por natureza (é o mais fugitivo dos fenómenos), doravante mantido no detalhe preciso do seu desenrolar no tempo, e portanto facilmente observável, manipulável. Mais obviamente necessitado de uma notação convencional como "auxiliar de memória" aproximada do efeito resultante do gesto instrumental.
De uma assentada eis que se abre a possibilidade ao músico de se juntar na experiência do pintor ou do escultor, trabalhando directamente com as suas mãos e com o seu corpo sobre a obra, ela mesma.
in L’Image de son, by François Bayle
sobre a Paisagem
"A paisagem já não é a obra de arte, seja o suporte, seja a representação pictórica; mas antes o processo perceptivo que se opera no olhar.
Não é a mão que pinta, mas o olho que selecciona, enquadra, foca e edita, que transforma “land into landscape”."
in "Landscape and Western Art", by Malcolm Andrews
Não é a mão que pinta, mas o olho que selecciona, enquadra, foca e edita, que transforma “land into landscape”."
in "Landscape and Western Art", by Malcolm Andrews
Landscape in music
Landscape (in music) is a conjured place through which the music moves and in which the listener can wander.
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Paisagem (na música) é um lugar evocado através da qual a música se move e no qual o ouvinte pode vaguear.
David Toop, in "Ocean of Sounds"
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Paisagem (na música) é um lugar evocado através da qual a música se move e no qual o ouvinte pode vaguear.
David Toop, in "Ocean of Sounds"
landscape 1 / paisagem 1
"In the open country.
A small, tumble-down old chapel long ago abandoned.
Near it a well, some large stones which look like old tombstones and an old bench.
A road can be seen leading to GAYEV's estate.
Dark poplar trees loom on one side and beyond them the cherry orchard begins.
There is a row of telegraph poles in the distance and far, far away on the horizon are the dim outlines of a big town, visible only in very fine clear weather.
It will soon be sunset. "
. . .
"Um campo.
Uma velha capela, há muito abandonada, com paredes rachadas;
próximo, um poço, grandes pedras, que aparentemente foram lajes tumulares, e um velho banco.
Pode-se ver uma estrada para a propriedade de Gaev.
De um lado erguem-se álamos, projetando suas sombras; o cerejal começa aí.
À distância uma fila de postes de telégrafo; e longe, muito longe, em traços apagados no horizonte, uma grande cidade, visível apenas quando o ar é bastante límpido.
Em breve, o sol desaparecerá."
in "The Cherry Orchard" (Act Two - Scene One) , by Anton Chekhov
in "O Cerejal" (1ª Cena do Acto II ), de Anton Tchekov
A small, tumble-down old chapel long ago abandoned.
Near it a well, some large stones which look like old tombstones and an old bench.
A road can be seen leading to GAYEV's estate.
Dark poplar trees loom on one side and beyond them the cherry orchard begins.
There is a row of telegraph poles in the distance and far, far away on the horizon are the dim outlines of a big town, visible only in very fine clear weather.
It will soon be sunset. "
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"Um campo.
Uma velha capela, há muito abandonada, com paredes rachadas;
próximo, um poço, grandes pedras, que aparentemente foram lajes tumulares, e um velho banco.
Pode-se ver uma estrada para a propriedade de Gaev.
De um lado erguem-se álamos, projetando suas sombras; o cerejal começa aí.
À distância uma fila de postes de telégrafo; e longe, muito longe, em traços apagados no horizonte, uma grande cidade, visível apenas quando o ar é bastante límpido.
Em breve, o sol desaparecerá."
in "The Cherry Orchard" (Act Two - Scene One) , by Anton Chekhov
in "O Cerejal" (1ª Cena do Acto II ), de Anton Tchekov
A moldura do Proscénio como Janela
A cena à italiana, concebida segundo os principios da Renascença italiana, é vista como um quadro, composta em função do olhar do príncipe, quer dizer de forma a ser visto de frente com telas pintadas em perspectiva, o chão do palco inclinado, mais baixo à frente, daí haver as coordenadas esquerda baixa, ou direita alta –ao fundo de cena, do lado direito de quem está virado para o palco.
“O progresso nas técnicas de iluminação acelerou a criação da divisão do teatro em dois mundos (...).
Tornou-se possível aos actores afastarem-se até à parte alta do palco e continuarem a ser claramente visíveis da plateia (...).
Retiraram-se progressivamente até poderem actuar como se o público não existisse (...).
O espectador isolado dos seus companheiros pela escuridão torna-se um voyeur.
O espectador senta-se agora, silenciosamente, na sua cadeira olhando para o palco iluminado, como se o fizesse através de uma janela. E o que vê ele? Não o cosmos ou o imenso
mundo, mas o espaço privado de um quarto, ou o jardim privado que é a ‘sala de verão’ de uma qualquer casa de campo.”
in "O teatro à vista", by Carlos Alberto Augusto
“O progresso nas técnicas de iluminação acelerou a criação da divisão do teatro em dois mundos (...).
Tornou-se possível aos actores afastarem-se até à parte alta do palco e continuarem a ser claramente visíveis da plateia (...).
Retiraram-se progressivamente até poderem actuar como se o público não existisse (...).
O espectador isolado dos seus companheiros pela escuridão torna-se um voyeur.
O espectador senta-se agora, silenciosamente, na sua cadeira olhando para o palco iluminado, como se o fizesse através de uma janela. E o que vê ele? Não o cosmos ou o imenso
mundo, mas o espaço privado de um quarto, ou o jardim privado que é a ‘sala de verão’ de uma qualquer casa de campo.”
in "O teatro à vista", by Carlos Alberto Augusto
Music and Color
Kandinsky used color in a highly theoretical way associating tone with timbre (the sound's character), hue with pitch, and saturation with the volume of sound. He even claimed that when he saw color he heard music.
"Color is the keyboard, the eyes are the harmonies, the soul is the piano with many strings. The artist is the hand that plays, touching one key or another, to cause vibrations in the soul. "
Kandinsky
"Color is the keyboard, the eyes are the harmonies, the soul is the piano with many strings. The artist is the hand that plays, touching one key or another, to cause vibrations in the soul. "
Kandinsky
A fala dos sinos
O sino fala!
Comunica e informa.
Será, porventura, o mais antigo meio de comunicação sonora à distância ainda em uso nos nossos dias e usado tão massivamente na cultura occidental.
Ao longo dos tempos a sua toada foi percutida em capelas, igrejas e catedrais, em aldeias, vilas e cidades; ecoando através de vales e montes, de praças, ruas e vielas.
Fazendo a chamada à oração no momento da missa, as badaladas do sino anunciam também a morte, festeja casamentos, baptizados e outras festividades do calendário religioso.
À comunidade local avisava também dos perigos guerreiros de ameaça de saque e ocupação, assim como nas emergências de incêndio.
Associado ao mecanismo de um relógio, no séc. XIV, na torre de igrejas e catedrais, passou a informar também as horas do dia, essas badaladas lacónicas da passagem das horas, regulares no seu bater.
Embora associado à religião cristã, mundanamente e em tamanhos mais reduzidos foi adoptado para anunciar a presença de visitantes à entrada de casas e palácios, ou para a reunião no fim da jorna dos trabalhos rurais.
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Comunica e informa.
Será, porventura, o mais antigo meio de comunicação sonora à distância ainda em uso nos nossos dias e usado tão massivamente na cultura occidental.
Ao longo dos tempos a sua toada foi percutida em capelas, igrejas e catedrais, em aldeias, vilas e cidades; ecoando através de vales e montes, de praças, ruas e vielas.
Fazendo a chamada à oração no momento da missa, as badaladas do sino anunciam também a morte, festeja casamentos, baptizados e outras festividades do calendário religioso.
À comunidade local avisava também dos perigos guerreiros de ameaça de saque e ocupação, assim como nas emergências de incêndio.
Associado ao mecanismo de um relógio, no séc. XIV, na torre de igrejas e catedrais, passou a informar também as horas do dia, essas badaladas lacónicas da passagem das horas, regulares no seu bater.
Embora associado à religião cristã, mundanamente e em tamanhos mais reduzidos foi adoptado para anunciar a presença de visitantes à entrada de casas e palácios, ou para a reunião no fim da jorna dos trabalhos rurais.
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Music 1
What is music, really?
What happens inside our brains when we listen to music?
Why do certain patterns of sound have an emotional efect on us?
"Words make you think a thought.
Music makes you feel a feeling.
A song makes you feel a thought."
Edgar Yipsel Harburg (1898 - 1981)
What happens inside our brains when we listen to music?
Why do certain patterns of sound have an emotional efect on us?
"Words make you think a thought.
Music makes you feel a feeling.
A song makes you feel a thought."
Edgar Yipsel Harburg (1898 - 1981)
Music 3
"Nous comptons trois espèces de musique.
La première produit simplement du plaisir, la seconde exprime et provoque des passions, la troisième s'adresse à notre imagination.
La musique naturelle est celle qui produit chez l'homme, en général, un de ces trois effets.
La musique qui revêt à la fois les trois qualités est certainement la plus parfaite."
. . .
"Podemos contar três tipos de música.
A primeira produz simplesmente prazer, a segunda exprime e provoca paixões, a terceira dirige-se à nossa imaginação.
A música natural é aquela que produz, no homem em geral, um destes três efeitos.
A música que possui estas três qualidades em simultâneo é certamente a mais perfeita!"
in "Le Grand Traité de la Musique", by Mohammed Abu Nasr al-Farabi
(philosophe islamique du 10e siècle / filósofo islâmico do séc. X)
La première produit simplement du plaisir, la seconde exprime et provoque des passions, la troisième s'adresse à notre imagination.
La musique naturelle est celle qui produit chez l'homme, en général, un de ces trois effets.
La musique qui revêt à la fois les trois qualités est certainement la plus parfaite."
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"Podemos contar três tipos de música.
A primeira produz simplesmente prazer, a segunda exprime e provoca paixões, a terceira dirige-se à nossa imaginação.
A música natural é aquela que produz, no homem em geral, um destes três efeitos.
A música que possui estas três qualidades em simultâneo é certamente a mais perfeita!"
in "Le Grand Traité de la Musique", by Mohammed Abu Nasr al-Farabi
(philosophe islamique du 10e siècle / filósofo islâmico do séc. X)
La musique réappropriée / A música reapropriada
Bach dans la salle de bains,
l'opéra sur l'autoroute:
la musique "profanée" par l'écoute privée?
Le disque et la radio ont surtout apporté les moyens de faire exister la musique sans la présence réelle des exécutants, et aussi sans la attention même de l'auditeur!
. . .
Bach na casa de banho,
a ópera na auto-estrada:
a música "profanada" pela escuta privada?
O disco e a rádio trouxeram sobretudo os meios que permitem a existência da música sem a presença real dos executantes, e também sem mesmo a atenção do ouvinte!
in "Musiques Médias et Technologies - Mythe de la reproduction", by Michel Chion
l'opéra sur l'autoroute:
la musique "profanée" par l'écoute privée?
Le disque et la radio ont surtout apporté les moyens de faire exister la musique sans la présence réelle des exécutants, et aussi sans la attention même de l'auditeur!
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Bach na casa de banho,
a ópera na auto-estrada:
a música "profanada" pela escuta privada?
O disco e a rádio trouxeram sobretudo os meios que permitem a existência da música sem a presença real dos executantes, e também sem mesmo a atenção do ouvinte!
in "Musiques Médias et Technologies - Mythe de la reproduction", by Michel Chion
space and place / espaço e lugar
"Our epoch is one in which space takes for us the form of relations among sites.
(...)
We do not live in a kind of void, inside of which we could place individuals and things.
We do not live inside a void that could be colored with diverse shades of light, we live inside a set of relations that delineates sites which are irreducible to one another and absolutely not superimposable on one another."
. . .
"Estamos numa época em que o espaço se dá sob forma de relações de lugares.
(…)
Não vivemos numa espécie de vazio, dentro do qual podemos
situar pessoas e coisas.
Não vivemos dentro de um vazio que se pode colorir de diferentes tons de luz, vivemos dentro de um conjunto de relações que definem lugares irredutíveis uns dos outros
e que de forma alguma se podem sobrepor. "
in "Des Espaces Autres", by Michel Foucault
(...)
We do not live in a kind of void, inside of which we could place individuals and things.
We do not live inside a void that could be colored with diverse shades of light, we live inside a set of relations that delineates sites which are irreducible to one another and absolutely not superimposable on one another."
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"Estamos numa época em que o espaço se dá sob forma de relações de lugares.
(…)
Não vivemos numa espécie de vazio, dentro do qual podemos
situar pessoas e coisas.
Não vivemos dentro de um vazio que se pode colorir de diferentes tons de luz, vivemos dentro de um conjunto de relações que definem lugares irredutíveis uns dos outros
e que de forma alguma se podem sobrepor. "
in "Des Espaces Autres", by Michel Foucault
Sound-houses / Casas de Som
“We have also sound-houses, where we practise and demonstrate all sounds and their generation. We have harmony which you have not, of quarter-sounds and lesser slides of sounds. Divers instruments of music likewise to you unknown, some sweeter than any you have; with bells and rings that are dainty and sweet. We represent small sounds as great and deep, likewise great sounds extenuate and sharp; we make divers tremblings and warblings of sounds, which in their original are entire. We represent and imitate all articulate sounds and letters, and the voices and notes of beasts and birds. We have certain helps which, set to the ear, do further the hearing greatly; we have also divers strange and artificial echoes, reflecting the voice many times, and, as it were, tossing it; and some that give back the voice louder than it came, some shriller and some deeper; yea, some rendering the voice, differing in the letters or articulate sound from that they receive. We have all means to convey sounds in trunks and pipes, in strange lines and distances.”
. . .
"Nós também temos casas de som, onde praticamos e demonstramos todos os sons e como são gerados. (...) Representamos e imitamos todo e qualquer som articulado e letra, e as vozes e as notas dos animais e pássaros. Temos ferramentas que usadas em nossos ouvidos permitem audições com maior apuro. Também temos ecos estranhos e artificiais, que refletem a voz muitas vezes... e alguns que devolvem a voz com volume maior que o original... Também temos como transportar sons através de troncos e canais, por linhas desconhecidas e distantes."
in "New Atlantis", by Sir Francis Bacon.
Written and published in 1624, the‘New Atlantis’ was an original work predicting what life would be like in a “Utopian” world of the future.
Escrito e publicado em 1624, 'New Atlantis' era um trabalho original prevendo como a vida seria num mundo "utópico" do futuro.
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"Nós também temos casas de som, onde praticamos e demonstramos todos os sons e como são gerados. (...) Representamos e imitamos todo e qualquer som articulado e letra, e as vozes e as notas dos animais e pássaros. Temos ferramentas que usadas em nossos ouvidos permitem audições com maior apuro. Também temos ecos estranhos e artificiais, que refletem a voz muitas vezes... e alguns que devolvem a voz com volume maior que o original... Também temos como transportar sons através de troncos e canais, por linhas desconhecidas e distantes."
in "New Atlantis", by Sir Francis Bacon.
Written and published in 1624, the‘New Atlantis’ was an original work predicting what life would be like in a “Utopian” world of the future.
Escrito e publicado em 1624, 'New Atlantis' era um trabalho original prevendo como a vida seria num mundo "utópico" do futuro.


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